sábado, 7 de janeiro de 2012

Férias: quando um momento de relaxar se tornar um estresse

Primeiramente desejo a todos um excelente 2012. Falar de férias é falar de um tempo muito desejado por alguns e por vezes odiado por outros. O primeiro entendimento que tive sobre férias foi quando iniciei meus estudos sobre lazer e a importância do tempo livre na vida das pessoas. O segundo entendimento foi quando gozei minhas primeiras férias, já que expressão é a utilizada pelas equipes de Recursos Humanos. A terceira percepção foi quando estive na Itália a trabalho, mas no período de férias e junto ao autor de Ócio Criativo. Grande parte das pessoas entendem férias como um período de descanso ou de recuperação das energias desgastadas pelo trabalho e pelas as ocupações desenvolvidas durante o ano. Lembro-me de uma aluna que tive no inicio da minha carreira como professor que durante um semestre viajou com seu marido duas vezes. Sempre quando perguntávamos ela dizia que seu marido viajava porque estava estressado do trabalho e precisava sempre de férias. Férias para curar o estresse é algo comum em nosso cotidiano. O mais interessante de tudo isto é que o sujeito tira férias, mas tem muita dificuldade de esquecer do trabalho. Dos 30 dias, gasta os primeiros 7 em desintoxicação, tentando esquecer o trabalho, mas sempre pensando nele. Ainda vive grudado em seu smartphone e e-mails, mesmo tendo deixado aquelas respostas automática de ausência temporária. Os outros 10 dias é de pura fruição, ou seja, o tal gozo. O celular já não é mais uma parte do corpo e fica até sem bateria. Os e-mails são respondidos pela pessoa que esta trabalhando e que foi indicada por ele na mensagem, deixando a esta mais um pouco de trabalho além do que já possui. Para os últimos 10 dias, porque a soma nunca fecha os 30 fica a sensação de que o fim está próximo, na qual a preocupação é que tudo aquilo que é bom está acabando. Então o sujeito começa a ficar estressado, agora não mais por causa do trabalho, mas pelas férias. Se está em viagem já olha o bilhete da passagem várias e várias vezes dizendo que confere para verificar se está tudo certo, mas na verdade olha sempre a data de partida, fica remoendo que os dias estão se extinguindo e de forma rápida. Tira fotos e compra todos os souvenirs possíveis, já que uma boa parte do período pós-férias será marcado pela recordação. Se for uma viagem aos destinos turísticos de praia se coloca no sol para mostrar o bronze natural e não aquele de escritório ou o comprado nas estéticas. Quando acaba e o retorno não só é inevitável, mas obrigatório o sujeito entra em depressão, síndrome de abstinência ou qualquer coisa do gênero, pois os momentos de liberdade e felizes acabaram. Pobre criatura mal sabe que este pensamento industrial faz parte de uma cultura de compensação, na qual somente depois do trabalho se pode gozar de momentos de prazer. Outra alternativa é pensar que férias e momentos de fruição podem ser realizados todos os dias, mesmo trabalhando. No caminho do trabalho, durante, nos intervalos, na volta para casa, junto a família, ou mesmo sozinho. Tudo é modelo mental e pensamento pró-felicidade, já que sofrimento só gera estresse, algo comum em nosso cotidiano;e, que a receita médica é tempo livre e férias. Il dolce fa niente de um café na praça, uma contemplada na paisagem e uma música no celular faz um bem danado. Ao mesmo tempo que quando tira ferias com a família também serve como um ambiente de geração de novas ideias. Tudo pode ser fruído estando ou não em tempo de férias ou tempo de trabalho, já que nossa vida não é fracionada e o prazer pode sempre estar vinculado a qualquer esfera da vida. Abraços e boas férias.