segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Trabalho e Prazer: múltiplas relações na pós-modernidade

"A idéia que nascemos livres e iguais é em parte verdadeira e em parte enganosa; na realidade nascemos diferentes, mas perdemos nossa liberdade tentando ser iguais aos outros"
David Riesman

O trabalho e o prazer são dois aspectos que sempre permearam a vida humana em todos os momentos de sua existência, bem como os diversos modos de produção. Em qualquer alternativa, a percepção do trabalho e o prazer se manifestava com base na sociedade em que o homem vivia. Creio que pensar o trabalho e prazer seja se suma importância para o desenvolvimento das ações em nosso cotidiano, principalmente o brasileiro, visto que, as constantes transformações reveladas pela aceleração, dinamismo do mercado e competitividade fazem com que a gestão e seus procedimentos seja adaptados a cada dia, semana, mês ou ano.
Atualmente, presenciamos grupos de países que se destacam pela produção de informações e conhecimento, que geram produtos intangíveis agragados de valor, estética, design e prestação de serviços, turismo, cultura; outro formado por modelos produtivos predominantemente industriais, gerando produtos ou partes destes com base na mão-de obra e no trabalho fabril determinados pelo tempo e pela velocidade de produção; outros, que predominantemente desenvolve produções agrícolas, na qual o trabalho se manifesta mecanicamente e é determinado pela ação do homem e da natureza; e, por fim, países que baseam suas ações relacionadas a extração de recursos hídricos e energéticos e na sua biodiversidade, baseados principalmente nas suas fontes naturais e posicionamento geográfico no planeta.
Se pensarmos no trabalho pós-industrial tema deste pequeno artigo e como base no que apresenta o sociólgo italiano Domenico De Masi, faz-se necessário entender que este propõe uma alteração de modelo mental da socidade, o qual se contrapõe ao de produção industrial, visto que, busca redefinir posturas do homem frente suas ações cotidianas de trabalho, lazer, família e relacionamento social; e, principalmente, no prazer; do usufruto dos momentos, de forma que estes possam ser agregados de significados. Esta transformação interior deve ser compartilhada entre todos os atores do cotidiano - governantes, empresários, intelectuais, artistas e outros. Um senso de valor crítico e criativo a permeia.
A ação produtiva no modelo pós-industrial é desprovida de divisão de tempo, de espaço, família, trabalho, prazer, estudo, mas baseada na mescla de todos os fatores componentes da vida, na aqual as dimensões da vida individual e social são vistas simultamentamente. Neste sentido, a alteração de pensamento requer de gerentes, gestores e líderes um desapego do pensamento agrícola ou industrial, já que, se o desenvolvimento das ações produtivas estão relacionadas ao modelo pós-industrial, mas o pensamento é agrícola ou industrial gera-se uma anomaliaou um híbrido dos modelos produtivos, dificultando assim, um poscionamento de mercado, a gestão e desenvolvimento de pessoas, a criativdade no processo produtivo, a estética eo design, a inovação. Afinal, o pensamento industrial esta baseado na linearidade, na cadeia de montagem, na padronização, no espaço e tempo determinado.
A realidade das empresas brasileiras vincula-se principalmente as suas origens, a empresa familiar, na qual todos faziam tudo e, principalmente, o trabalho braçal. Com a evolução do mercado e o desenvolvimento das empresas, a organização em sua grande maioria cresce mais do que a mentaldiade do seu fundador, cujo pensamento, muitas vezes, ainda permanece no modelo industrial, ou seja, do fazer, do executar, esquecendo-se do planejar, criar, gerar estética, significado, ou seja, da gestão, trasncendendo o âmbito da execução, visto que muitas vezes o prazer estava realciaonado a construção do trabalho realizado com seu suor ou com suas proprias mãos.
A transformação do modelo mental para pela alteração das variáveis de personalidade, seja no âmbito objetivo (racionalidade e habilidade) que ocorre por meio da combinação, reflexão, análise e comprovação; seja no âmbito subjetivo (opinião, emoções, sentimentos e atitudes)manifestando-se com no apelo emotivo e na imersão em uma nova realidade - atmosfera; e ainda, as necessidades e desejos que são reflexos das transformações das variáveis subjetivas e objetivas.
Com um olhar nestes aspectos é que a cada dia as empresas investem no capital humano, envolvendo o objetivo, o subjetivo, as necessidades e desejos individuais e coletivos, que se mesclam a estratégia organizacional, aos ritos, crenças, missão, visão e valores, acrescidos a cultura projetada pela e para a empresa por intermédio de seus colaboradores. O desenvolvimento de programas de outdoor education, imersões de executivos em outros mercados, transferências para determinadas regiões ou países, programas de team building e outras ferramentas que possibilitam a geração e mudança de pensamento e comportamento, conduzem o colaborador a uma ocasião de trabalho e prazer unidos em um mesmo momento, juntamente com o desenvolvimento da criatividade individual e coletiva, de maneira espontânea, lúdica e prazerosa.
Estas ações fazem com que o trabalho seja provido de prazer e que o prazer possa contribuir para o trabalho, ou mesmo, seja trabalho: é que o entendimento do trabalho como algo mesclado a todos os demais aspectos da vida, e desprovido de tempo e espaço, faz com que o trabalho e o prazer sejam unos.
Não seria correto pensar que todos os países ou todas as empresas poderão ter estes tipos de trabalhadores ou poderão aliar trabalho e prazer, visto que, para cada pós-industrial, ainda necessita-se de alguns industriais ou agrícolas. É impossível negar que os mentes-de-obras não necessitarão dos mãos-de-obras. Nem mesmo é correto pensar que o prazer é algo proibido ou que se vincula especificamente ao carnal, ou mesmo, que o trabalho se apresenta como um instrumento de tortura, ou um castigo, que a desaceleração é inexistência de competitividade, que a contemplação não é trabalho e que não competir é inferiorizar-se. Mas, também é difícil falar de prazer em um trabalho alienante, enfadonho, empobrecido, repetitivo, no qual o único pensamento é da necessidade de um tempo livre.
Cada situação e cada modo produtivo requerem um pensamento específico, o difícl é entender como uma organização que possui os três modos produtivos pode se posicionar diante das diversas nuances de cada modelo e das diversas formas de pensar que cada momento requer. Creio que a resposta esteja na formação de grupos criativos, que possam aliar as diversas realidades e traçar diretrizes para as ações a serem desenvolvidas nas empresas e manifestadas no mercado, em níveis transversais e longitudinais. Ao mesmo tempo que geram trabalho, geram prazer, conhecimentos, produtos, serviços, conceitos.
Cumprir tarefas, prazos, criar, produzir, inovar, curar esteticamente, conhecer, reconhecer, desenvolver, virtualizar-se, divertir, controlar, motivar, tornam-se desafios aos gestores do mundo pós-moderno, no qual a relação trabalho e prazer acompanhamseu cotidiano, suas relações, suas manifestações, tornando-os livres, iguais e diferentes.

8 comentários:

  1. Thiago da Luz Matos12 de março de 2009 10:20

    Achei interessante o parte do texto que aborda que "...o desenvolvimento das empresas, organizações, em sua grande maioria, cresce mais que a mentalidade do seu fundador." Isso ocorre na maioria dos casos porque o fundador prende-se às suas raízes e não acompanha as constantes mudanças nesta era da informação.Vejamos por exemplo Escolas de Ensino médio em Florianópolis, que procuram adaptar-se cada vez mais na qualidade de ensino e devida dos seus alunos, oferecendo além do estudo exigido para a aprovação de ano escolar e para o ingresso em universidades, oferecem atividades alternativas como lazer, tais como:aula de yoga, música, arte, etc. Porém cabe salientar que o sentido da palavra lazer neste caso não faz jus, pois são atividades obrigatórias, que fazem parte da grade escolar. Sabendo que o lazer é uma atividade espontânea, essas atividades extra-curriculares rotulam-se como qualquer outra coisa, menos lazer. mas o grande foco da empresa, é querer se adaptar às necessidades do mercado, pois tranzendo essas atividadespara dentro das escolas, gera segurança aos pais, conhecimento sobre diferentes assuntos artísticos, redução de preço nessas atividades comparando com os valores de escolas específicas, etc.

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  2. Thiago da Luz Matos12 de março de 2009 10:25

    Achei interessante o parte do texto que aborda: "...o desenvolvimento das empresas, organizações, em sua grande maioria, cresce mais que a mentalidade do seu fundador." Isso ocorre na maioria dos casos porque o fundador prende-se às suas raízes e não acompanha as constantes mudanças nesta era da informação.Vejamos por exemplo Escolas de Ensino médio em Florianópolis que não tem o fundador com a mente enraizada no passado, que procuram adaptar-se cada vez mais na qualidade de ensino e devida dos seus alunos, oferecendo além do estudo exigido para a aprovação de ano escolar e para o ingresso em universidades, atividades alternativas como lazer, tais como:aula de yoga, música, arte, etc. Porém cabe salientar que o sentido da palavra lazer neste caso não faz jus, pois são atividades obrigatórias, que fazem parte da grade escolar. Sabendo que o lazer é uma atividade espontânea, essas atividades extra-curriculares rotulam-se como qualquer outra coisa, menos lazer. mas o grande foco da empresa, é querer se adaptar às necessidades do mercado, pois tranzendo essas atividades para dentro das escolas, gera segurança aos pais, conhecimento sobre diferentes assuntos artísticos, redução de preço nessas atividades comparando com os valores de escolas específicas, etc.

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  3. Bom dia Geraldo,

    Li e o texto “Múltiplas relações na pós-modernidade”. Mas o que não sai da minha cabeça é o comentário que você fez em sala de aula sobre: a “sala de 5 minutos”, adotado em muitas empresas, especialmente as de tele-marketing. E o jogo de bingo que fizemos como forma de nos conhecermos melhor brincando.
    Penso então como seria adotar nas empresas a “sala dos 5 minutos sobre cada um de nós”.
    Um lugar com postais, fotografias, música e pequenos textos sobre a região, o estado ou a cidade de cada companheiro de trabalho. Um espaço para conhecer um pouco da diversidade cultural que compõe aquele lugar em particular, e o Brasil como um todo.
    Ou ainda a exibição de vídeos de curta duração, como Sunscreen, por exemplo.
    Também conhecido como Advice for a better living.
    Sendo Lazer um momento de explorar as possibilidades de divertir, descansar e se desenvolver brincando. Temos que encontrar aqui o espaço onde pode-se descobrir possibilidades de uma vida melhor.

    João Manoel.

    PS: Geraldo, Fico lhe devendo um comentário mais especifico sobre o texto.
    Abraço.

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  4. Geraldo, aqui vai o video Sunscrenn.
    http://www.youtube.com/watch?v=ol2fN0bZCso

    Bom Domingo professor!

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  5. Concordo com o que o Thiago disse!
    O que mais me chamou atenção no texto é sobre o lazer no trabalho, geralmente o fundador quando pensa em melhorar a empresa, não pensa no melhor para o funcionário e sim o melhor para o seu cliente!
    De certo modo esta certo, mas um bom "investimento" seria um local de lazer disponível no ambiente de trabalho,com certeza os funcionários trabalhariam com mais vontade e consequentemente a produção iria aumentar.
    Hoje em dia é muito constante pessoas com stress e outros problemas devido ao trabalho, vira uma rotina chata não tem um diferencial, não é mais uma coisa feita por prazer e sim por obrigação!

    Abraços Geraldo
    Christian

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  6. Olá Geraldo...
    O que também me chamou mais atenção no texto foi a parte em que o fundador pensa em melhorar a empresa, mas o mesmo pensa no melhor para o cliente e não para o funcionário.
    Toda empresa é composta por seus líderes, funcionários e clientes definindo mais especificamente.
    A empresa sempre visa dar um ótimo atendimento ao seu cliente, e dá apenas o básico aos seus funcionários que seria os instrumentos de trabalho que ele precisa para realizar determinada função. Nesse momento esquece-se que quem atende e está mais próximo do cliente é o funcionário que é quem presta o serviço para o mesmo. Logo, se o funcionário não está se sentindo feliz no trabalho não vai atender bem o seu cliente, o que reflete no resultado da empresa. Então é nos funcionários também que deve haver investimento. Eu trabalho numa empresa de telemarketing onde há aquela "sala de 5 minutos" que o joão comentou. Nesta tal sala fazemos exercício físico para cuidar da saúde, o que é importante, mas não o suficiente. É preciso que os funcionários vejam o interesse da empresa em atender suas necesidades, deixá-los satisfeitos e quebrar a visão de que não se pode conciliar trabalho e prazer. É preciso sempre renovar, criar maneiras de deixar o ambiente de trabalho cada vez mais agradável, de criar uma proximidade entre as pessoas, para que assim se possa alcançar um resultado cada vez melhor.
    Um abraço, Pamella.

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  7. Acho que hoje em dia para o nosso trabalho fluir bem temos que gostar do que fazemos, nosso trabalho não pode ser muito desgastande, na nossa vida cotidiana temos que ter tempo parao lazer, para a familia. Se conseguimos unir os dois trabalho e lazer vamos conseguir fazer o que poucos conseguem: Trabalhar se divertindo.

    Filipy Kuhn Educação Física - 1ª fase

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  8. Prof. Geraldo, dividi o texto a seguir em duas partes, sendo a primeira um comentário sobre a linguagem abordada e a segunda sobre o meu entendimento, compreensão e visão do texto (tudo dentro da minha limitada compreensão), concluo que gostei muito da visão nele descrita. Caso tenha pressa pule a primeira parte.

    1ª parte
    Não quero que veja esta critica como sendo negativa, apenas como uma visualização geral de quem não está habituado, e ficou “desnorteado” com a linguagem e estruturação descrita no texto. Considerando-se que o texto tem por base a disciplina de Recreação e Laser visando no mínimo o bem estar e porque não o prazer da leitura. Pude perceber durante a leitura a presença de rugas expressões faciais nunca vistas antes, mas que com paciência, atenção e releitura pode tirar proveito ( ainda que pouco ) do referido texto, segue a seguir minha mísera observação.

    2ª parte
    De acordo com o texto, os países atualmente são divididos em três grupos e entende-se que eles representem suas realidades pela totalidade de suas funções; definindo assim, que, algumas empresas ou gestores que buscam unir prazer e trabalho são insignificantes ou nada influem na mentalidade das demais. Mas acredito que muitas empresas já estão sendo por elas influenciadas e por isso mudando seu pensar, mesmo que lenta ou controladamente.
    O professor Domenico tem (ainda que rapidamente descrito) um modelo de pensamento que vai contra a nossa atual realidade mas que poderia muito bem ser aplicada ao nosso cotidiano através das instituições de ensino, criando-se uma nova cultura sobre este aspecto. Abolindo gradativamente o modelo agrícola ou industrial da mente dos nossos atuais e principalmente futuros gestores, desenvolvendo nestes a idéia de que o prazer da vida encontra-se no bem estar e na saúde, não apenas em acúmulos de capital ou cargos.
    O texto descreve-se de maneira utópica dentro de nossa realidade, porque não adianta apenas pensar em gerir, se, por costume a grande massa trabalhadora é direcionada apenas ao fazer utilizando o lazer como o fruto do trabalho e desconhecem nisto o real significado de prazer. Não que seja ele unânime a todos, mas é importante conhecer todas as suas faces e seus limites para assim extrair dele o seu real aproveitamento.

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